quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Nutrição e doença


        O animal quando está doente, altera o seu metabolismo, entrando num estado chamado hipermetabólico. É caracterizado por um aumento do consumo de oxigênio e do gasto energético, estando dependente, sobretudo, da severidade da doença. Ele provavelmente representa uma tentativa do corpo em prover adequadas quantidades de glicose e aminoácidos, a fim de otimizar as defesas do hospedeiro e a reparação de feridas no sítio da injúria.
        O suporte nutricional atua juntamente com a terapia convencional, fornecendo os nutrientes necessários para a manutenção e recuperação do paciente. A falta de apetite, o baixo consumo ou até mesmo a inexistência da alimentação são situações comuns a animais doentes, principalmente nos casos em que a internação se torna necessária. O prolongamento dessa situação podem provocar um quadro grave de desnutrição e agravamento da doença.
O oferecimento adequado da alimentação, melhora a resposta do organismo frente à doença, otimiza a resposta a tratamentos clínico-cirúrgicos, reduz a deterioração da função imune, minimiza a perda de massa corpórea magra (musculatura), favorece a cicatrização e reparação tecidual, conseqüentemente, diminuindo o tempo de permanência dos animais internados.
O correto manejo nutricional do animal hospitalizado depende de uma adequada coleta de informações nutricionais do paciente (incluindo a condição ou escore corporal) e da realização de exames laboratoriais específicos, quando necessário. Devem-se estruturar protocolos e procedimentos internos que permitam a definição das necessidades calóricas do animal, tipo de alimento, via de administração e a quantidade de alimento a ser fornecida. Mecanismos de acompanhamento e registros diários do consumo efetivo de alimentos e da produção de fezes são, também, fundamentais.
O consumo inadequado de nutrientes pode complicar muitas desordens fisiológicas, sendo assim, mais difícil de tratar a doença. Animais que durante 24 ou 48 horas não apresentem consumo voluntário estão em balanço energético negativo, devendo receber intervenção nutricional enteral ou parenteral. A cada dia negligenciado aumentam-se significativamente os riscos de complicações e mortalidade. Uma meta prática seria começar o suporte nutricional dentro de 24 horas a partir do início da injúria ou doença.



Como regra geral, deve-se alimentar o animal da maneira mais simples, eficiente e barata. Esta é, sem dúvida, a alimentação voluntária. Quando esta não é efetiva, em função de anorexia ou é contra-indicada, a próxima opção passa a ser a alimentação enteral via sondas (nasoesofágica, esofágica). Esta via é mais fisiológica, barata e menos sujeita a complicações. A sonda nasoesofágica é colocada pela narina do animal e vai até antes da entrada do estômago. Não requer anestesia e o animal não pode estar vomitando. O animal pode permanecer com a sonda por até 10 dias. Como o diâmetro dessas sondas é muito pequeno, soluções especiais, formuladas e preparadas para este fim se tornam necessárias. A sonda esofágica é colocada diretamente no esôfago no animal e requer anestesia. Contudo, pelo maior diâmetro da sonda, o alimento fornecido pode ser uma ração comercial de boa qualidade preparada com água, batida no liquidificador e peneirada para não comprometer a passagem do alimento na sonda. Além disso, o animal pode permanecer com a sonda por volta de 3 meses. A terceira opção é a nutrição parenteral,  podendo ser empregada, também, como forma de suplementação da via enteral. Consiste no fornecimento das necessidades do animal por via não entérica (intravenosa, intraóssea, peritoneal).

          Seu animal está doente e não come? Peça ao Médico Veterinário uma avaliação nutricional. Quanto mais rápido a intervenção, maior a chance de recuperação.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

O que você precisa informar sobre a alimentação do seu animal?


Uma das dificuldades do Médico Veterinário especialista em Nutrição de cães e gatos, é descobrir o que o seu paciente come.
Se o paciente falasse, com certeza seria mais fácil! Mas cabe a você, o proprietário, dizer tudo corretamente sem se esquecer de nada. Pode parecer besteira, mas tudo, exatamente tudo que o seu animal come, precisa ser dito!
Antes de levar o seu animal à uma consulta nutricional, esteja atento a alguns dados:

Quem alimenta o animal?
É muito importante para o manejo do animal, que o Médico Veterinário esteja falando com a pessoa certa! Não adianta a prescrição se as informações forem passadas erradas. Se você for o dono e você mesmo alimentar o animal, ótimo. Caso quem alimente seu animal for sua mãe, irmã ou até mesmo a empregada, leve-os à consulta. Só assim, vamos nos certificar que o animal será alimentado da forma correta.

O que o animal come?
Se for ração, procure o nome da ração, a finalidade (adultos, filhotes, idosos) e o fabricante. Caso você não saiba como olhar isso, leve a embalagem da ração vazia. Caso você compre a ração a granel, ou seja, sem embalagem lacrada, procure o pet shop e tente descobrir qual ração é (Não é indicado a compra de ração fora da embalagem). Se mesmo assim você não souber essas informações, o preço que você paga em 1 kg de ração, ajuda o Médico Veterinário a descobrir a segmentação a que ela pertence. 
Se for comida caseira, é preciso detalhar os ingredientes que você usa: Arroz, macarrão, feijão, carne (frango, boi, porco), se usa ou não alguma suplementação, se teve orientação de alguém, se é sobra de mesa, se é preparado especialmente pro animal ou não. Quanto mais informações você apresentar, melhor.

Quanto o animal come?
Mesmo descobrindo qual a ração o animal come, é importante saber a quantidade em que ela é fornecida e em quantas vezes. Tente pesar a quantidade que você fornece diariamente. Caso não seja possível, leve o pote medidor que você usa ou até mesmo a quantidade de ração que ele come no dia. Isso ajudará a descobrir a necessidade individual do seu cão. Caso seja comida caseira, tente estipular em porcentagem o quanto seu animal come de cada coisa. Lembre-se de informar se o animal se alimenta uma, duas ou mais vezes ao dia.

O animal come algum petisco?
Essa é a parte mais complicada. As pessoas costumam esconder do Médico Veterinário o que realmente fornecem aos seus animais. Faça uma lista em casa de tudo que você oferece ao seu animal (pão, leite, biscoito, bolacha recheada, doce, chocolate, fruta - quais frutas, bifinhos e snacks próprio para animais, carnes, queijo, leite, café, refrigerante e qualquer outro alimento que seu animal coma). Além disso, procure estimar a quantidade e quantas vezes ao dia é oferecido.

Algum tipo de suplementação?
Se você fornece qualquer tipo de suplementação com vitaminas, minerais (principalmente Cálcio) e proteínas, procure o nome do suplemento, se possível leve-o à consulta e saiba a quantidade fornecida. 

O animal tem perdido ou ganhado peso recentemente?
Sempre que possível, acompanhe o peso do seu animal. Caso não seja possível, pergunte aos que convivem com o animal se eles notaram alguma diferença visual no peso do animal. Essa informação é muito importante!

Como estão as fezes do animal?
Saber se o animal defeca muito ou pouco, e se as fezes são pastosas, amolecidas ou sequinhas, contribui e muito para a avaliação nutricional.

Mesmo que você suspeite que esteja fazendo algo de errado, não esconda essa informação do Médico Veterinário! E também não saia da consulta com alguma dúvida! Se possível, faça uma lista com as dúvidas que você tem e não esqueça de perguntar! É nossa obrigação orientá-los.